“E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lucas 12:22-32).
O mundo atual gira em torno do capitalismo. De forma global. Amizades são forjadas pelo brilho do que você tem no seu bolso. Se aproximam de você pelas suas condições e posses.
Não tenho muitos amigos que tenham intimidade suficiente para frequentar a minha casa. E pretendo comprar um automóvel até o final do ano. Mas já estou me preparando psicologicamente para a quantidade de “amigos” que surgirão, saídos de saus tocas, atraídos pelo ronco do motor e cheiro de gasolina.
Eu tenho um “amigo” movido nesse sentimento. Se aproxima das pessoas por aquilo que elas podem oferecer, financeiramente falando. Ele já foi cristão, mas hoje desdenha de qualquer pessoa que o convida a ir a igreja, querendo humilhar as pessoas que, segundo palavras dele, “são acomodadas e esperam as coisas caírem do céu.”
Diante deste quadro, um amigo nosso em comum me deu o seguinte conselho: “Junior, você deve buscar ter as suas coisas melhores do que “fulano”, para que ele possa ver Deus em sua vida.”
Confesso que a princípio, segui esta orientação. Meu pensamento estava focado em conseguir as coisas melhores que a dele. Mas quando parei pra meditar nesse assunto, glorifiquei a Deus porque não comprei nada pra mim com esse sentimento de “ser melhor que o outro.”
No texto acima, Jesus nos orienta a não ficarmos preocupados com o que teremos. Vale mais a sua vida do que as coisas. Vale mais a pena buscar o Reino. Mas a maioria de nós, ao ler esse texto, se concentra na parte “todas essas coisas (comida, bebida, vestes etc.) vos serão acrescentadas.”
Depois que li esse texto, mudei a minha concepção sobre o ter ou não ter. Aprendi que somos dependentes do Senhor. O nosso esforço, sem a benção dele, acrescentará dores. Isso não significa que devemos ficar de braços cruzados, esperando que as coisas aconteçam do nada. A Palavra não nos orienta a ficar ociosos, mas sim despreocupados. Ter a certeza que no momento certo a benção que queremos vai chegar. Jesus nos ensina que a nossa primeira preocupação deve ser buscar o reino. E onde esse reino está, ou deveria estar?
…o reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós (Lucas 17:20-21).